Hotelaria tem que ser mais flexível

Por a 13 de Julho de 2017 as 9:59

A burocracia e a falta de flexibilidade da legislação são as principais razões que levam alguns investidores a apostar em unidades de Alojamento Local, como os hostels, em vez da hotelaria clássica nos tempos mais actuais.

Esta é a conclusão do debate promovido pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) ‘Hosteleiros vs Hoteleiros’, que contou com Miguel Simões de Almeida, da Alma Lusa Baixa-Chiado, e Bernardo D’Eça Leal, do The Independente Hostels & Suites, administradores de unidades de Alojamento Local e associados da AHP.

Os responsáveis foram unânimes quanto à inflexibilidade da legislação portuguesa no que concerne a edificação de uma unidade hoteleira, que, dizem, ser muito menos rígida quando a aposta é num estabelecimento de Alojamento Local, como sejam os hostels. Aliás, os empresários consideram mesmo que no que toca a estes estabelecimentos, a lei chega a ser demasiado liberal.

A esta inflexibilidade, acresce toda a burocracia e morosidade do processo de abertura de uma unidade hoteleira clássica, com Miguel Simões de Almeida a referir, ainda, as limitações de conversão de um prédio classificado como estabelecimento hoteleiro.

Porém, o Alojamento Local traz consigo alguns desafios que não são tão visíveis na hotelaria tradicional, apontaram os administradores da Alma Lusa Baixa-Chiado e da The Independente Hostel & Suites, enumerando, a título de exemplo, a dificuldade no acesso ao financiamento; a distribuição, designadamente em plataformas digitais como a Booking; e a falta de associativismo.

No que respeita ao mercado em geral, os responsáveis reiteraram a necessidade de alterar a legislação no sector hoteleiro e apontaram como principais preocupações num futuro mais imediato o estrangulamento da capacidade aeroportuária de Lisboa e a falta recursos humanos qualificados.

AL representa 54% da oferta nacional

Cristina Siza Vieira, presidente da direcção da AHP e moderadora deste debate, revelou alguns números relativos ao Alojamento Local e à Hotelaria a nível nacional, indicado que a maioria do número de camas registado a nível nacional é representada pelo Alojamento Local: 54% vs. 46%.

Em Portugal, a 6 de Julho de 2017, existiam 44.427 unidades de Alojamento Local, das quais 441 classificadas como hostels, num total de 241.980 camas, 22.050 das quais em hostels. No RNET, o número de hotéis em território português é de 1238, dos quais 36 pousadas e 140 hotéis-apartamento, num total de 204.475 camas.

No concelho de Lisboa, existem 8.752 unidade de AL, dos quais 131 camas, num total de 49.655 camas, 6.500 em hostel. No serviço clássico, existem 192 hotéis,  com 36.511 camas.

No distrito de Lisboa, estão registados 11.407 estabelecimento de AL, dos quais 176 na categoria de hostels.

Na região, a divisão de camas está entre 58% para o AL e 42% para os hotéis. No todo nacional, o concelho representa 20% da oferta de AL e o distrito ascende aos 26%.

No concelho do Porto, existem 3.650 AL , dos quais 30 hostels, que representam 19.600 camas. No RNET encontram-se registados 79 hotéis e 12 mil camas.

Neste mercado, o AL representa 62% da oferta, sendo que no distrito do Porto estão contabilizados 4.537 AL e 46 hostels. O concelho do Porto tem um peso de 11% na oferta de AL nacional e o distrito de 16%.

Por fim, no Algarve, onde o Alojamento Local é mais significativo, o distrito de Faro apresenta 20.239 registos de estabelecimentos de AL, dos quais 39 hostels, num total de 105 mil camas. O número de hotéis é de 135, com 41.608 camas. Ou seja, o AL representa 72% da oferta de alojamento local e 46% no todo nacional.

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